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Estudo mostra consequências do hábito de fumar entre os mais pobres

ACTBR - Jornal Nacional - 02/12/2013

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O Jornal Nacional mostra o resultado de um estudo sobre o hábito do fumo entre os brasileiros. É um problema que afeta mais profundamente os mais pobres. Inclusive em relação ao risco de desenvolver as doenças relacionadas ao tabaco. A pesquisa é da Fiocruz e da Universidade Federal Fluminense.

Foram 35 anos de um vício difícil de abandonar. Maurício chegou a fumar dois maços de cigarro por dia. E fez as contas do dinheiro que virou fumaça. “Em 30 dias, o consumo de cigarro me faz pagar a mensalidade da escola de um filho meu”, compara Maurício Simões, operário.

Apesar das campanhas contra o tabagismo, ainda existem 25 milhões de fumantes no Brasil. Um problema de saúde que afeta, principalmente os mais pobres. De acordo com o estudo, nas famílias de menor renda os fumantes passam de 20%.

“Uma desigualdade perversa, porque o pobre já sofre uma série de outros problemas e ainda tem mais esse problema dentro da sua cesta de riscos pra saúde”, ressalta Vera da Costa e Silva, coord. do Centro de Estudos / Fiocruz.

O grau de escolaridade também foi analisado. Entre os brasileiros com pelo menos um ano de universidade, 10% são fumantes. Mas a proporção é duas vezes maior no grupo de pessoas que não completaram o Ensino Fundamental: 22%.

O fumo está associado às doenças que mais matam no Brasil: enfarte, derrame, câncer, enfisema pulmonar. E os mais pobres acabam sendo as maiores vítimas. O risco de morrer por causa dessas doenças é pelo menos duas vezes maior entre as pessoas com baixa renda e que têm menos acesso à educação.

Os especialistas defendem que é preciso dificultar o acesso ao cigarro e mudar as campanhas de prevenção.

“Acho que é uma questão de linguagem. Acho que não houve uma linguagem adequada dentro das políticas que existem pra atingir esse público”, avalia Paula Johns, da Aliança de Controle do Tabagismo.

“O primeiro desafio é aumentar impostos e preços”, aponta Vera.

Os fumantes com mais anos de estudo gastavam 5% da renda com cigarros. Enquanto aqueles que têm menos de 8 anos de escolaridade acabam comprometendo, em média, 13% do salário.

Seu Jorge fuma um maço a cada dois dias. Ele já teve pneumonia e foi alertado pelo médico. Mas nenhum conselho, nem campanha conseguiram convencer Seu Jorge a jogar esse velho hábito fora.

“Não está tragando, de todo jeito está fumando, perigoso. Mas eu vou parar”, afirma o auxiliar de limpeza.

Desde 2005, o Sistema Único de Saúde oferece tratamento contra a dependência do fumo.

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